Sabemos que existe um hábito na nossa cultura de se colocar calçados em crianças desde que nascem, mesmo muito antes delas engatinharem ou andarem. Evidências científicas mostram que nosso pé tem uma capacidade extraordinária no armazenamento de energia elástica para se deslocar. Há um aumento da força de reação do solo durante o fim da fase de apoio na marcha, além de uma série de reações químicas que trazem benefícios ao nosso organismo e sistema musculoesquelético ao longo da vida.
Estudos mostram que o uso de calçados pode influenciar na morfologia (estrutura) e função do pé. Quando colocamos calçados em crianças na fase de maturação, estamos interferindo no processo de desenvolvimento das principais habilidades da criança na fase adulta como no caminhar e correr. Um pé que na infância ficou dentro de meias e/ou calçados pode perder sua robustez, força, equilíbrio, propriocepção (estabilidade), sofrer redução do arco plantar, trazendo consequências mais sérias para a criança na fase adulta, como lesões musculares e articulares tias quais: dores na coluna, joelhos, tornozelos, dentre outras.
Podemos observar quando colocamos calçados ou meias em bebês que eles os tiram com frequência, pois eles não gostam e sentem-se com os pés presos. Crianças até 14 anos devem, sempre que possível, fazer atividades descalças e depois que passarem da fase de maturação e chegarem na fase adulta podem colocar calçados. Crianças precisam passar por um desenvolvimento das suas habilidades motoras e isto tem que ser feito da maneira mais natural possível.